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31/08/2018

Patricia Marx prioriza atmosferas em álbum de bom acabamento instrumental e repertório irregular

Refém do passado infanto-juvenil vivido ao longo da década de 1980, Patricia Marx saltou do Trem da Alegria já nos anos 1990, quando Nelson Motta repaginou o som e o repertório da cantora paulista em três álbuns – Ficar com você (1994), Quero mais(1995) e Charme do mundo (1997) – editados pelo selo de Motta, Lux Music.

Foi esboçada ali uma carreira adulta de sucesso que entrou por trilhas alternativas a partir dos anos 2000. Marx aderiu então ao neo soul e às experiências eletrônicas. É nesse ambiente que transita Nova (selo Lab 344), o recém-lançado 13º álbum solo da artista.

Os vocais em estilo new age de Supernova (Patricia Marx e Herbert Medeiros), tema sem letra que abre o disco, dão a pista certeira do clima viajante. A evocação do som da new age é bisada em Crystal 528Hz(Patricia Marx e Herbert Medeiros), outra faixa sem versos, levada nos vocalizes.

Também imerso no universo da ambient music, o álbum Nova parece dar mais relevo às atmosferas do que as músicas em si – o que não deixa de ser providencial, já que a qualidade do repertório majoritariamente autoral é oscilante, tendendo à irregularidade.

Nesse sentido, a audição de Nova soa quase como anticlímax, já que a música mais inspirada do disco, You showed me how (Patricia Marx, Herbert Medeiros, Robinho Tavares e M Clair), já foi previamente apresentada em fevereiro como o primeiro (ótimo) single do álbum.

Embora Marx seja a única solista do disco, Nova também tem a mão forte do pianista e compositor paulistano Herbert Medeiros, artista egresso do meio musical evangélico que é coprodutor e coautor de dez músicas do álbum, em parceria com Marx, assinando sozinho uma composição, You? (Sobre ser uma Monja), formatada como vinheta na disposição do repertório.

Herbert Medeiros garante o fino acabamento instrumental do disco. Há instantes de beleza ao longo das 14 faixas e dos 50 minutos do álbum, caso de Lá no espaço (Patricia Marx, Herbert Medeiros e Jorge Ailton), balada conduzida em tempo de delicadeza pelo piano do recorrente Herbert Medeiros. Música de André Mota, integrante da banda paulistana Maloka Chic, a balada Faz também sobressai no repertório em clima de bossa lounge pop.

Entre o neo soul e cama de R&B que acomoda o vocalize de LaLaLa (Studio session) (Patricia Marx e Herbert Medeiros), a cantora se mostra afinada, segura das escolhas arriscadas feitas neste disco bilíngue (em português e em inglês) de difícil absorção no mercado do Brasil, país que tradicionalmente adere ao som black no mainstream somente quando a embalagem é explicitamente pop. O que não é o caso.

Enfim, Nova tem lá bons momentos. No todo, entretanto, paira a sensação de que a atmosfera do álbum é mais envolvente do que a música em si que gerou tantos climas.

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