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Ariana Grande justifica rótulo de ‘Mariah Carey teen dançante’ em show para fãs mirins devotos em SP

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Passei a noite inteira aqui / Passei o dia inteiro aqui / E, garoto, você me deixou andando meio torta.” Tem um contraste bastante grande entre o teor dos versos de “Side to side” e o público a que ele se destina – majoritariamente crianças e adolescentes. Porque são eles os maiores fãs (bem devotos; veja o porquê logo abaixo) de Ariana Grande, que teve no hit um dos principais momentos do show da noite deste sábado (1°) no Allianz Parque, em São Paulo.De acordo com a organização, foram 27 mil presentes. Muitas – mas muitas mesmo – crianças acompanhadas pelos pais, famílias inteiras. Havia adolescentes mais velhos e jovens também, mas chamavam menos atenção. E o que todos puderam ver foi isto:
Uma cantora afinada e de voz potente (agudos sem fim: trabalhamos), que justifica o status de “Mariah Carey teen”;
Uso nem sempre comedido de efeitos, vozes pré-gravadas e playbacks;
Mas potencial mal aproveitado (repertório pop repetitivo);
Show que parece clipe, até meio automático, previsível, com raríssimas interações com a plateia e zero improviso;
Mas que melhora consideravelmente no final e faz valer o fanatismo;
E, por fim, homenagem discreta mas bonita aos 22 fãs que morreram no atentato que aconteceu numa apresentação de Ariana na Inglaterra, em maio. A cantora faz zero comentário sobre o assunto, mas o recado está dado.
Um exemplo do empenho dos admiradores da cantora americana: em dado momento, cai sobre a plateia uma “chuva” de notas de dinheiro falsas com o rosto de Ariana Grande. Na área mais perto do palco, uma menina de uns 12 anos pisou no pequeno pedaço de papel – e foi derrubada, tipo futebol americano, por outra garota de idade parecida.
A primeira acabou batendo a cabeça no chão, ficou sem o brinde e saiu com cara de choro e algumas escoriações. No fim, a nota ficou com um terceiro participante da disputa, um garoto de uns 14 anos.
Mas, no geral, o clima foi família, com pais e mães muito participativos, erguendo os filhos nos ombros. E fotografando e filmando. Se bem que, mais para perto do fim, estava fácil ver aqueles pais e mães aparentemente dispersos. Era a chance de os filhos se vingarem pedindo “sai desse celular!”.
Ariana Grande em SP: famílias se reúnem para show da cantora em São Paulo
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Já no início, o que acontecia no palco era pouco atraente – não que alguém ali reclamasse, a gritaria era constante… Das quatro partes em que o show de Ariana Grande se divide (cada uma com um figurino diferente), as duas primeiras são fracas.
Privilegiam o repertório do disco mais recente, “Dangerous woman” (2016). Tudo muito dançante e discretamente sensual – Ariana está acompanhada de dançarinos, faz coreografias, mas fica cansativo.
Faixas como “Bad decisions” e “Let me love you” agradam, só que nada, nada de acontecer êxtase coletivo entre o povo que usava as mesmas tiaras com orelhinhas que são a marca da artista de 24 anos, ex-estrela adolescente de TV.
A coisa começa a andar justamente na terceira parte, de pegada feminista. Ela começa com o telão mostrando as palavras “empoderamento” e “feminino”. Vem, então, “Side to side”. O clipe mostra uma espécie de aula de spinning provocante com as “alunas” filmadas por trás. A versão ao vivo não chega a tanto, mas Ariana leva, sim, bicicletas ergométricas ao palco e começa cantando enquanto pedala.
O telão ainda exibe Nicki Minaj, que participa da faixa original (e esse recurso dos duetos se repete ao longo do show, com vozes “do além”). Um ponto positivo: essas vozes extras (dos “parças” e da própria Ariana) ajudam a artista a parecer, ao vivo, melhor do que é. Mas servem de complemento, e não só de muleta apelativa para ela sair rodopiando e basicamente desencanar de cantar, como às vezes acontece com outros astros pop.
Alguma enrolação de leve e chegamos finalmente à quarta parte. Começa com a baladona “Moonlight”, em que Ariana outra vez pode exibir seus dotes quase atléticos de canto. Na sequência, hits do passado: “Love me harder” e “Break free”, as duas do disco “My everything” (2014). Já não era sem tempo: o povo no estádio fica maluco, canta, dança, bate palma, berra etc. Boa, Ariana.
Já ali perto do final, vem o tributo às vítimas de Manchester. O telão mostra o símbolo do luto estilizado, numa montagem em que aparecem as orelhinhas. Ela canta agora “(Somewhere) Over the rainbow”, da trilha de “O mágico de Oz” (1939), conhecida na voz de Judy Garland.

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